sábado, 7 de junho de 2008


Esta noite será diferente
Não vou querer nada
Mesmo que seja barato
Muito obrigada!
Rapaz de blusa listrada
Mais ficarei a espera
Do solo de guitarra.


D.Pessoa

sexta-feira, 6 de junho de 2008

eu vô bebe p/ esquece meus poblemas.

Nus! esse num tem solução...
Sem citar nomes conheço uma galera assim.
"Vamu cê filiz, cambada!" mas, com moderação.

amigos que sofrem...

que dureza!!!!

que phoda!!!

...e ele não pode escolher o sabor.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

cafada

Aqueles cachos eu não sei de quem era
Trigos...
Vestidos com seus mantos solares.
Às vezes leãozinho
Soltos no vento
Mais mansos quanto penteados
Secos ou molhados
São meus esses fios dourados.





D.Pessoa

segunda-feira, 2 de junho de 2008

poesia todo dia

Poesia não é feita só para ler.
É para pensar, criar, inventar, brincar, aprender!

Convite - José Paulo Paes

Poesia é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que bola, papagaio, pião
de tanto brincar se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?

A poesia não é muito “levado” a sério por um grande número de pessoas. Até mesmo na área da educação, onde muitas vezes não vemos nas escolas incentivos para a leitura de poesia e demais, com crianças recém chegadas. È necessário que desde o primeiro contato, a escola, através de projetos, brincadeira e etc, mostre para seus alunos o extenso universo poético e às infinitas possibilidades da palavra. E essa falta de contado das crianças com o meio poético ocorre pelo fato de muitos adultos acharem que a poesia é um recurso sofisticado demais para elas, em parte porque, na correria do cotidiano esquecemos da nossa própria... Poesia!

Mamar na leitura

Se chorar, dê de mamar;
Alimente, a sua semente;
Todo dia, poesia.

D. Pessoa


face fácil


Dos cabelos te dou moradia
Na inexistente canção
No trato do prato de todo dia
Nos olhos vejo sua versão

Na inexistente canção?
Traduzida pelos fatos fúteis
Na melodia do sim e do não
Delicada em nossa união

No trato do prato de todo dia?
Fingindo não ter...
A verdadeira face oculta
Da máscara macia ao derreter.


D. Pessoa

nada de mim


Nas palavras suas soltas suaves
Passeio pelos verdes vesgos versos
Piso em ruídas ruínas rimas
Em iluminados instantes incertos

Passos curtos calmos cavados
Lendo, vejo a luz leitura do livro;
Permaneço enfim momentos mudos
A espera da esperança encontrar.

Caminho pelas palavras no ar
Mas prometo jogá-las no
mar mar mar

D.Pessoa

vozes duras


Tranqüilamente sonhos contigo
Vestidos em vestes nuas
Nossas vozes entrelaçadas
No silêncio do ar quadrado.

As almas enfim juntas
Libertam os sãos desejos
Assemelham enfim os talantes
Em longos e perdidos beijos

Os olhos não vêem e nem sabem
Onde se encontra o ventre
E permanecem entre
O procurar e não encontrar.

D. Pessoa

ilusão


Corri dos elefantes africanos
Com os barcos venezuelanos
Tropecei nos montes peruanos
Enquanto observava os indianos

Usei chapéu mexicano
Para me disfarçar das múmias
Deparei-me com cantores jamaicanos
Enquanto lixava as unhas

Lutei na guerra iraquiana
Vestida como uma gueixa
Ouvindo música indiana
Bebendo café com ameixa

Chorei lágrimas secas
Nas nuvens vi o mar
Li nas placas da cerca
Aonde posso chegar

Dancei a dança do ventre
Ao nascer
E permaneci entre...
O sonhar e o amanhecer.

D.Pessoa