quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


Numa madrugada escura
caminho apressada por uma rua
ninguém me segue
mas mesmo assim eu sinto
a sensação de perseguição
ando mais rápido e paro!
fingindo amarrar o tênis
olho novamente
amarrando o outro tênis
lembro uma canção feliz
para me distrair
não adianta
foi minha consciência que ficou para trás
Danúbia Pessoa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

tempestade recolhida


choro por outras dores
não por essas
por tantas outras incertas

choro por mim
pelo que foi feito assim
sem pensar
ou apenas vontade de amar

choro por um fim
que então desconheço
a queda não esperada
do berço

choro contando os atos
os fatos
e os rastros
marcados com pés descalsos

choro pelo mundo
de um vagabundo
chamado raimundo

choro pelo óbvio
na cegueira
de quem vão vê

choro pela imensidão do mar
e sua incrível
incapacidade de amar

choro desta maneira molhada
de expressar minha dor
contida em mim e no amor

choro...
nenhuma lágrima derrubo
fazer o quê?
se ando meio duro!
D.Pessoa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

pedaços


eu que nem sempre fui atenta
agora vejo a intensidade das estrelas
das ruínas do que um dia foi moradia
das sujeiras embaixo do tapete
da tentativa de ser o que eu não sou
ou simplesmente parecer o que sempre fui
de agradar atleticanos e cruzeirenses
e torcer desesperadamente para o ipatinga
acreditar na pura arte
ou em um dia morar em marte
que monalisa além de lisa
foi feita sobre camadas
quem dera ter a inteligência dos índios
ou a força dos escravos
a calma dos passaros
e a agilidade da tarturuga
e paciência das formigas
quem dera...
se ou não mudasse da água para o vinho
se todo dia estivesse sorrindo
e se meus escritos fossem entendidos
além de lidos.
D.Pessoa

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009



a humanidade me envergonha
e a triste realidade é que faço parte dela
se com minhas mãos carrego somente uma pedra
e a tiro do meio do caminho, não importa!
nada fiz além de perder algumas calorias
agora quem tem o dever de carregar milhares
nada faz além de engordar...
...o próprio bolso...
D.Pessoa

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

estou em suas mãos...



estive em vários lugares
contive muitos desejos
menti muitos beijos
vulgares

levei tempo para existir
pinceladas leves para reagir

minha importância eu não quis
foram eles, que quiseram assim

meu fim é longo
mãos tentam me salvar
não entendem que o tempo
não é possível restaurar...

agora, uma menina me olha
pequenina e cheia de vida
e vê que seu sorriso, é isso!
meio-mona numa lisa camada de tinta....




D.Pessoa

sábado, 27 de dezembro de 2008


escrevo numa madrugada chuvosa e companheira
escrevo não sei porque e nem para quem
talvez para essa minha vontade avassaladora de caçar palavras em meio a milhares de caçadores
de unir palavras enfim tocantes
ou até mesmo de tentar passar para o papel esse "coisa" que há dentro de mim...
circulando por entre minha finas veias
retendendo meu olhar para as coisas belas
escrevo... enfim sem sentido próprio
porque sei que amanhã outra "coisa" tomara conta de mim...
e talvez não seja esta inspiradora dor...


D.Pessoa

terça-feira, 23 de dezembro de 2008


não me sustento mais nas minhas pernas
já não tenho só dois pés
não sei qual o caminho de um novo começo
ou o direção de um novo fim
em qual esquina trombei com meu destino
e nem o vi
não sabia o que era “ode” além do ódio por mim
não estou mais presente em nada, à presença nunca esteve em mim
lágrimas não rolam em meu rosto
sorrisos não contagiam minha boca

agora você sim, conduz meus sólidos pensamentos.
D.Pessoa

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008


devo dormir para descansar a cabeça, o corpo e a alma;
e enfim... sonhar com você;
nós no dia marcado com a ansiedade consoladora
você! faz isso comigo

furei com amigos
pelo tanto que te amei e... amo
ainda não és tarde meu amor, o sol ainda nasce
brigo comigo todo dia pelo nosso fim
mais o importante é te ver
sem saber se... (você sabe!)
guardados, presentes e as lembranças.
amo-te minha donzela delicada
e fim... sem seus braços.





D.Pessoa

domingo, 30 de novembro de 2008

Foto: Ivan Loyolla
Era uma vez pequenas gotículas sobre finas linhas de um ser... vistas por um olho de um sábio...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

...família pessoa...

Hoje eu acordei..., que bom, se não eu estaria morta. A morte é algo engraçado, não é?!. As pessoas brincam com ela, falam dela, como se ela realmente fosse alguém. Mas, quando ela vem ninguém entendi, procuram soluções, desculpas, respostas e quando não encontram piram. Eu muitas vezes não vou mentir já desejei morte para muitas pessoas. E porque?. Por um leve momento de raiva, pois a raiva é a condutora de muitas fatalidades que vemos a todo o momento nos meios de comunicação. O fato é que se torcermos a tv uma enorme poça de sangue surgiria em baixo de nossos pés.
Talvez meu interesse pelo assunto seria diferente se eu não tivesse presenciado tantos momentos de dor de parentes que perderam parentes. Sempre pensei como seria perder um ante tão próximo, pois nunca havia presenciado nenhuma morte na família, na verdade desde que eu nasci nenhum parente meu faleceu. Ocorria até uma brincadeira que ninguém na nossa família se casa e nem morre. Isso era engraçado até dois tios meus faleceram em menos de três meses. Tia Lúcia e Tio Tarcisio faleceram no ano de 2007, um em janeiro logo após as festividades do ano novo e o outro em março, respectivamente. Lembrei-me das águas de março fechando o verão, que para nós seria lágrimas. O ano de 2007 foi muito corrosivo para a tão querida família Pessoa.
Não sei, a partir daí meu interesse pelo assunto tão fatídico sobressaiu minha mente. Sei que um dia eu vou morrer é fato, e o foda é não saber quanto tempo me resta. Se vou ter filhos e deixá-los órfãos, um viúvo tarado dizendo por ai que eu não prestava. Ai! Entenderam? É meio que situações como essas.
E desta forma cheguei a uma conclusão pretensiosa, não vou me casar (viúvos tarados, bêbedos, indigentes, segredos, fotos, fatos, privacidade, intimidade e etc...) e nem ter filhos (órfãos, madrastas, perigo, analfabetismo, dor, saudade, necessidade etc...) no máximo um cachorro daqueles bem grandes (pra botar medo mesmo), morar sozinha (hum! e sempre com muitas visitas rs) em uma casa pequena para evitar bagunça, com muitas prateleiras para meus muitos livros (espero que algum feito por mim).

Bom, mas enquanto isso não acontece, vou ficar aqui na minha, pensando no tão programado futuro, esperando o abraço fatal da morte e as lágrimas forçadas.

Por uma integrante pouco assídua (eu)