segunda-feira, 11 de maio de 2009

e há nele...

ansioso caminha o poeta
por ruas, conhecidas e detalhes nunca observados.
cumprimentos e palavras rápidas em meio o ar poluído
tropeços despercebidos
mãos esquentam no bolso da calça batida
é frio e quente poeta não sabe o que sente.
onde estou, para onde vou, qual será minha poesia-nova?
pessoas nas janelas, crianças ou cadelas.
não assiste novelas.
de encontro à casa vai contando passos
lembrando talvez, os que foram dados.
caminha sensível na depressão,

um flamejante solitário.
ansioso?

danúbia pessoa

sexta-feira, 8 de maio de 2009

na espera da tua carne
faço de mim meu próprio prazer
vejo nas telas que pinto a mulher que não sou
e nas suas poesias o poeta que queria ser
somos o néctar que o beija-flor não bebe
ou a fruta do topo da árvore que ninguém alcança
somos perfeitos e imperfeitos como o imponente navio que afundou
congelamos a nós mesmos no intuito de não estar
somos a coragem que habita na “pedra no meio do caminho”
somos o toque da pessoa amada no desejo do inimigo
somos convincentes e imprecisos
é! nascemos assim, talvez.
A poesia que encoraja, enfim.

mas no fim somos o sol e a lua.
danúbia pessoa

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Porque sou assim?
Não quero ver (?) lágrimas no meu fim.
danúbia pessoa

terça-feira, 5 de maio de 2009


não sou mais assim tão jovem
roubar meu doce já não é assim tão fácil
sonhos que viraram pó
pensamentos que viraram h2o
sentimentos escorrendo pelos olhos
ócio e liberdade
talantes atravancando a garganta
não adianta!
cedo ou tarde
todos nós conhecemos a realidade.
danúbia pessoa

segunda-feira, 4 de maio de 2009

vivo numa poesia
sem fim
sem rima
e principalmente sem poeta.

danúbia pessoa

quinta-feira, 30 de abril de 2009

clarice lispector

“Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito”.


frases que me fazem cada vez mais apaixonada por eles, elas e vocês.

terça-feira, 28 de abril de 2009


entre o osso e a carne
que é muita
um poeta permuta
Danúbia Pessoa

segunda-feira, 27 de abril de 2009


não sei o que acontece comigo
preciso muito de abrigo
preciso falar,escrever, beber, rir, cantar e chorar.
de ar, respirar!
preciso nadar naquela cachoeira novamente
e ou pedalar num asfalto quente
alegria! alegria!
quem sabe a fórmula desta magia (?)
quem sabe a direção desta guria (?)
quem sou (?)
porque isso importa tanto
medo, acalanto e que encanto!
bonita e inteligente sou um outro vivente.
nasci na pele errada e mesclada
faço frases sem sentido
discursos despercebidos
poemas exauridos
só não me faço, no regaço, enlaço meu aço.


Danúbia Pessoa

domingo, 19 de abril de 2009


não vejo nada e nada me vê
leio sebos vendo TV
um dia eu sei (desesperadamente)
que terei cores
azul, verde, vermelho
e no espelho vou vê-las
e dissolvê-las
como chá de ervas em água quente
como amor sem precedentes
como eu nos braços daquele demente.

Danúbia Pessoa

quinta-feira, 16 de abril de 2009


falta um segundo apenas
para eu piscar e lubrificar os olhos
para eu falar e te ouvir
para o fim da novela e o início da propaganda
para o refrão e o cantar
para a saudade me matar

falta um segundo apenas
para o fim do livro e o best seller
do filme e dos casais apaixonados no cinema
do amor e o felizes para sempre
ou até da dor e felizes mais separados (?).

falta um segundo apenas
para terminar a tela
ora! Que bela!
a Cinderela na janela
um segundo para enjoar dela

falta um segundo apenas
para eu encontrar a rima
para a frase, virar verso.
para o verso, virar estrofe.
e o estrofe, virar livro.

falta um segundo apenas
para a ambulância de emergência e a despedida
para as lágrimas e o barulho de terra sobre a madeira
para as lembranças vividas e jamais esquecidas

falta um segundo apenas
para eu comer e perder a fome
para eu apertar e apagar
para eu deitar e dormir
para eu escrever e postar

tudo nesta vida leva um tempo, mesmo que seja um segundo.
Danúbia Pessoa