segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


vejo-te em meu lugar
dividindo as idéias
fora do ar!
sentamos na praça
a espera de uma graça
parados, descansamos o corpo.
sair um pouco...
às vezes meu quarto
não tem espaço
para nós...
e para essa sensação horrível
de querer te ter
D.Pessoa

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

OLHOS INSANOS


HÁ! AQUELES OLHOS INSANOS
E MUITO HUMANOS
SE PUDESSE NAVEGAVA
NELES O RESTO DA VIDA
ESCREVERIA UM POEMA
PARA CADA PISCADA

HÁ! AQUELES OLHOS INSANOS
SERIAM O NASCER E O PÔR-DO-SOL
SERIA MINHA FOGUEIRA ARDENTE
E MINHA GELEIRA DORMENTE
MINHA RAZÃO DE VIVER E MORRER

HÁ! AQUELES OLHOS INSANOS
QUANTAS VEZES O VI ACORDAR
E QUASE NUNCA CHORAR
NUMA TONALIDADE ÚNICA E INTENSA

HÁ! AQUELES OLHOS INSANOS
QUE AO PASSAR DOS ANOS
VIVE DENTRO DE UMA LOUCURA
PURA?
D.Pessoa

sábado, 7 de fevereiro de 2009

fria neve


me vi várias vezes em outros olhos

principalmente nos teus...

que pena, meu gato morreu

eram azuis e seu nome era Evelin

mais eu a chamada de "focos de neve"

numa manhã senti sua falta

passeando sobre minha pernas

quando recebi a notícia...

Espera!

envenenada se foi, nenhuma foto registrei

mas não esquecerei

das frias lâmbidas da Neve.
D.Pessoa

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009


entre (vírgulas) poemas.
entre (pontos) poetas.
o poeta não tem fim...
termina, quando começa
uma nova poesia.


D.Pessoa

Numa madrugada escura
caminho apressada por uma rua
ninguém me segue
mas mesmo assim eu sinto
a sensação de perseguição
ando mais rápido e paro!
fingindo amarrar o tênis
olho novamente
amarrando o outro tênis
lembro uma canção feliz
para me distrair
não adianta
foi minha consciência que ficou para trás
Danúbia Pessoa

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

tempestade recolhida


choro por outras dores
não por essas
por tantas outras incertas

choro por mim
pelo que foi feito assim
sem pensar
ou apenas vontade de amar

choro por um fim
que então desconheço
a queda não esperada
do berço

choro contando os atos
os fatos
e os rastros
marcados com pés descalsos

choro pelo mundo
de um vagabundo
chamado raimundo

choro pelo óbvio
na cegueira
de quem vão vê

choro pela imensidão do mar
e sua incrível
incapacidade de amar

choro desta maneira molhada
de expressar minha dor
contida em mim e no amor

choro...
nenhuma lágrima derrubo
fazer o quê?
se ando meio duro!
D.Pessoa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

pedaços


eu que nem sempre fui atenta
agora vejo a intensidade das estrelas
das ruínas do que um dia foi moradia
das sujeiras embaixo do tapete
da tentativa de ser o que eu não sou
ou simplesmente parecer o que sempre fui
de agradar atleticanos e cruzeirenses
e torcer desesperadamente para o ipatinga
acreditar na pura arte
ou em um dia morar em marte
que monalisa além de lisa
foi feita sobre camadas
quem dera ter a inteligência dos índios
ou a força dos escravos
a calma dos passaros
e a agilidade da tarturuga
e paciência das formigas
quem dera...
se ou não mudasse da água para o vinho
se todo dia estivesse sorrindo
e se meus escritos fossem entendidos
além de lidos.
D.Pessoa

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009



a humanidade me envergonha
e a triste realidade é que faço parte dela
se com minhas mãos carrego somente uma pedra
e a tiro do meio do caminho, não importa!
nada fiz além de perder algumas calorias
agora quem tem o dever de carregar milhares
nada faz além de engordar...
...o próprio bolso...
D.Pessoa

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

estou em suas mãos...



estive em vários lugares
contive muitos desejos
menti muitos beijos
vulgares

levei tempo para existir
pinceladas leves para reagir

minha importância eu não quis
foram eles, que quiseram assim

meu fim é longo
mãos tentam me salvar
não entendem que o tempo
não é possível restaurar...

agora, uma menina me olha
pequenina e cheia de vida
e vê que seu sorriso, é isso!
meio-mona numa lisa camada de tinta....




D.Pessoa

sábado, 27 de dezembro de 2008


escrevo numa madrugada chuvosa e companheira
escrevo não sei porque e nem para quem
talvez para essa minha vontade avassaladora de caçar palavras em meio a milhares de caçadores
de unir palavras enfim tocantes
ou até mesmo de tentar passar para o papel esse "coisa" que há dentro de mim...
circulando por entre minha finas veias
retendendo meu olhar para as coisas belas
escrevo... enfim sem sentido próprio
porque sei que amanhã outra "coisa" tomara conta de mim...
e talvez não seja esta inspiradora dor...


D.Pessoa